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Economia

Toque de recolher ajuda a acalmar França, mas há mais protestos previstos

Por Elizabeth Pineau e Charlotte Van Campenhout PARIS, 20 Out (Reuters) - Toques de recolher noturnos em zonas afetadas pela violência nas maiores cidades da França ajudaram a trazer um respiro em

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Por Elizabeth Pineau e Charlotte Van Campenhout

PARIS, 20 Out (Reuters) - Toques de recolher noturnos em zonas afetadas pela violência nas maiores cidades da França ajudaram a trazer um respiro em meio aos piores distúrbios do país em anos, afirmou o governo, antes de novos protestos previstos para o fim de semana.

Inspiradas pelos protestos na França, multidões também tomaram as ruas em outros países, incluindo Itália e Albânia, onde indignação semelhante em relação às condições de vida levou a confrontos.

Abalado por um fim de semana de violência, o governo francês tentou tranquilizar a população, afirmando que havia aprendido com as falhas de segurança que deixaram os centros de cidades como Paris, Marselha e Lyon praticamente desprotegidos contra manifestantes violentos e saqueadores que invadiram as ruas após as manifestações.

“Os toques de recolher seletivos contribuíram para a calma da noite passada”, disse o primeiro-ministro Sébastien Lecornu em uma postagem no X, acrescentando que eles podem ser estendidos para o resto da semana, se necessário.

No centro de Paris, a polícia esvaziou e monitorou a Place de la République durante a madrugada, com um helicóptero sobrevoando o local. Em Lille, no norte, onde o toque de recolher se aplicava apenas a menores, policiais patrulharam o centro da cidade, verificando a identidade dos transeuntes.

O prefeito de Marselha, Benoit Payan, afirmou que haveria toques de recolher para menores nas áreas comerciais mais afetadas pelos distúrbios do fim de semana, a partir da noite de terça-feira.

As greves e manifestações de alunos do ensino médio contra a queda nos padrões de ensino e a crescente degradação das instalações se somaram a uma onda mais ampla de indignação contra o aumento dos preços e à sensação de que as necessidades nas áreas de saúde, moradia e bem-estar também não estão mais sendo atendidas.

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, disse à emissora BFM que 149 pessoas detidas no fim de semana estavam presas aguardando julgamento. Em outra aparição na TV na noite de segunda-feira, ele afirmou que cerca de 2.500 permaneciam sob custódia para interrogatório.

RENDIMENTOS DOS TÍTULOS SOBEM AINDA MAIS

Os distúrbios alimentaram um clima político tenso a seis meses das eleições presidenciais, com candidatos da extrema direita e da extrema esquerda liderando as pesquisas, segundo as pesquisas de opinião.

Os rendimentos dos títulos do governo francês – o prêmio que os investidores exigem para manter a dívida do país – subiram ainda mais na terça-feira devido a temores de novos protestos, com os títulos de dez anos atingindo seu maior nível de rendimento em 24 anos.

Na tentativa de encontrar uma saída para a crise e voltar a concentrar a atenção na aprovação do projeto de lei orçamentária, Lecornu convidou partidos políticos, tanto do seu governo quanto da oposição, para uma reunião de consultas na quinta-feira.

A Reunião Nacional, de extrema direita, liderada por Marine Le Pen, afirmou que enviará um representante. Ainda não ficou claro se o partido de extrema esquerda “França Insubmissa”, liderado por Jean-Luc Mélenchon, também participará.

Por enquanto, a relativa calma nas ruas dá ao governo um respiro muito necessário após semanas de protestos que sobrecarregaram os recursos policiais.

Mas novos desafios são aguardados no próximo sábado, com mais manifestações planejadas.

“Vamos continuar”, afirmou a principal federação estudantil da França, a UNEF, nas redes sociais, comprometendo-se a manter a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo para que consertem o que estudantes e alunos consideram um sistema educacional falido e subfinanciado.

Por outro lado, grupos que se identificam como “Gilets Jaunes” (Coletes Amarelos) convocaram ações esporádicas de protesto contra a escalada dos preços dos combustíveis.

O movimento dos coletes amarelos, praticamente inativo nos últimos anos, surgiu em 2018, durante o primeiro mandato de Macron, em resposta aos planos de aumento dos impostos sobre a gasolina. Bloqueios semanais de trânsito e ondas de violência nas ruas se prolongaram por meses, até que o governo abriu os cofres.

"DEFENDENDO MILÃO"

Lecornu prometeu na segunda-feira que o governo tiraria lições dos protestos do último fim de semana e do caos que se seguiu.

“Houve coisas que deram certo e outras que deram errado”, disse ele. “Minha determinação em restaurar a ordem é absoluta.”

Os principais sindicatos da França, incluindo a CGT – frequentemente a força motriz por trás de grandes manifestações organizadas –, não aderiram aos apelos para protestos no sábado.

Na Itália, o gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni deverá discutir uma resposta aos dois dias de agitação no centro de Milão no fim de semana e aos confrontos em outras cidades do norte, incluindo Bolonha, Brescia, Bérgamo e Turim.

Essa resposta incluirá o envio de 500 soldados para ajudar a “defender Milão”, disse o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini.

No principal bairro comercial de Milão, algumas lojas colocaram tábuas nas vitrines ou retiraram mercadorias das prateleiras após saques. O centro da cidade estava tranquilo na terça-feira, segundo um jornalista da Reuters.

Manifestantes, muitos deles estudantes, também estavam indo às ruas pelo sétimo dia consecutivo em Tirana, capital da Albânia, contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama.

(Reportagem de Jean-Stephane Brosse e Elizabeth Pineau em Paris, Elvira Pollina em Milão, Keith Weir em Londres, Charlotte Van Campenhout em Amsterdã e Ivana Sekularac em Belgrado)