Mulher afirma em tribunal do Reino Unido que comediante Russell Brand a estuprou
Por Michael Holden LONDRES, 19 Out (Reuters) - Uma mulher relatou à polícia que o ator e comediante britânico Russell Brand teria agarrado seus seios antes de arrastá-la para um banheiro de um bar e
Por Michael Holden
LONDRES, 19 Out (Reuters) - Uma mulher relatou à polícia que o ator e comediante britânico Russell Brand teria agarrado seus seios antes de arrastá-la para um banheiro de um bar e praticar estupro oral nela, segundo depoimento exibido em um tribunal de Londres nesta segunda-feira.
Brand, que já foi um dos apresentadores de maior destaque do Reino Unido e é ex-marido da cantora norte-americana Katy Perry, está sendo julgado sob acusação de três crimes de estupro, três de agressão sexual e um de agressão indecente contra seis mulheres entre 1999 e 2009.
O homem de 51 anos nega as acusações e disse à polícia, após sua prisão, que nunca se envolveu em atividade sexual não consensual e que as denunciantes poderiam ter reimaginado os acontecimentos.
A terceira das seis denunciantes a prestar depoimento alegou que Brand a havia agredido depois que ela o conheceu em uma festa em um bar de Londres, em 2004.
“BRAND TINHA UM SORRISO ESTRANHO”
Em um depoimento à polícia, dado em lágrimas e exibido aos jurados no Tribunal da Coroa de Southwark, a mulher, que trabalhava para a MTV, disse que queria conhecer Brand porque o tinha visto na televisão e achava que ele era muito engraçado. Mas, menos de um minuto depois de conversar com ele no bar, segundo ela, ele a agrediu.
“Ele literalmente agarrou meus seios no meio da conversa”, disse ela, acrescentando que ele tinha um sorriso estranho e maníaco no rosto enquanto fazia isso.
Imediatamente depois, enquanto ela estava em choque e sem acreditar no que estava acontecendo, ela disse que ele agarrou seu braço e a puxou para os banheiros que ficavam nas proximidades. Foi lá que ele supostamente a estuprou oralmente.
“Aconteceu tão rápido”, ela contou à polícia. “Ele disse ‘vamos lá, vamos lá, não seja desmancha-prazeres’”, ela relatou, dizendo que ele a segurava à força pela cabeça e pelos cabelos. “Eu simplesmente congelei. Não sabia o que fazer.”
Ela disse que, embora as palavras dele não fossem ameaçadoras, a força do ataque e o olhar dele sim.
Ela rejeitou a sugestão do advogado de Brand, Ian Winter, de que ela teria ficado muito animada ao conhecê-lo, dizendo que “não estava impressionada com a celebridade... Eu não era uma colegial boba”.
Winter argumentou que, se ela tivesse sido apalpada no bar ou arrastada para o banheiro, as pessoas teriam visto.
“Vamos deixar claro que ele não fez isso com você”, disse ele sobre a suposta agressão sexual. “Você acompanhou alegremente o Sr. Brand até o banheiro”, acrescentou ele, sugestão que ela rejeitou.
Ele afirmou que o suposto incidente no banheiro era “fisicamente impossível e não aconteceu”.
Winter também questionou por que ela nunca havia dito que havia sido estuprada até depois de um documentário de 2023 e de uma reportagem na imprensa sobre Brand, tendo contado a amigos e à irmã que ele havia tentado se impor a ela, mas que ela havia conseguido fugir.
“Eu não queria que as pessoas me julgassem... Eu sentia vergonha”, disse ela.
Na semana passada, a primeira denunciante disse ao tribunal que Brand a havia estuprado depois que ela o conheceu em um evento paralelo à conferência do Partido Trabalhista de 1999, no sul da Inglaterra.
A segunda das denunciantes contou ao Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, que, em 2001, um Brand com “olhos descontrolados” tentou arrastá-la para o banheiro masculino da MTV Europe, em Londres, onde ela trabalhava.
O julgamento, que deve durar cerca de seis semanas, continua.